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13 de jul. de 2015

Suficiente

Acho que as palavras não bastam para concretizar tudo o que sinto aqui dentro do peito esses tempos. As minhas e tampouco de algum escritor famoso, nem de todos os livros já publicados no mundo. 

Na verdade, não seria preciso todas as 222 palavras contidas nesse texto pra listar as qualidades e defeitos que fazem dele o que ele é.

Nenhuma música seria capaz de englobar tudo o que eu preciso dizer para ele. Ninguém conseguiu compor tal canção. Eu, inclusive, dispensaria as mais de 50 músicas que já compus e todas as melodias que já dedilhei no meu velho violão. Todas insuficientes.

Nossos filmes preferidos não chegam perto do significado que ele tem para mim. Pode até parecer dependência ou que ele é a peça que completa esse quebra-cabeças louco que é a minha vida. Mas ele é mais. Ele me transborda e é por isso que dificilmente uma carta, uma fotografia, uma dança, um coral inteiro conseguiria reproduzir com exatidão o que eu sinto por ele.

Mas existe algo que é tão, mas tão simples, que é extremamente eficaz quando se trata de mostrar o que eu sinto. Eu dispensaria tudo e apenas usaria meus dois braços, apertando o corpo inteiro dele num abraço que diria muito mais do que qualquer meio de comunicação existente no universo inteiro. 

E pronto.

1 de out. de 2014

Libertação

Desde que comecei a escrever textos decentes para o blog (o que foi um dia desses, no caso), eu sinto na pele a dificuldade de ilustrar os meus textos. Sem condições de fazer minhas próprias fotos (com aquela câmera compacta não dava pra fazer muito milagre), restava-me a opção de procurar belas imagens nessa internet de meu deus. E esse trabalho sempre foi mais difícil do que escrever o próprio texto em si.

Uma coisa é fato: você nunca vai encontrar uma foto que represente perfeitamente a grandeza do seu texto. Isso só é possível quando um texto surge a partir de uma imagem, o vice-e-versa é muito mais complicado. Porque todas as expectativas e devaneios que você criou na sua cabeça enquanto organizava seus pensamentos nunca vai ser exatamente igual ao de outra pessoa. A essência pode ser a mesma, a ideia bruta que normalmente vira a foto que vai ilustrar seu texto, mas nunca vai encaixar perfeitamente. A não ser, é claro, que você mesmo comece a pensar o seu texto verbal e imageticamente.

E depois de finalmente conseguir uma câmera decente (que o TCC me exigiu e minha mãe viabilizou) e começar a estudar bem mais, tomei uma decisão na minha vida: agora todas as fotos que ilustrarem meus textos serão de minha autoria e/ou pensadas por mim. Resolvi me livrar das dependências de outras pessoas e começar a planejar as coisas do meu jeito, tentando transmitir minhas ideias e discursos da maneira mais fiel possível.

Sendo assim, eu declaro este como o primeiro post do Inconstante a ser ilustrado por uma imagem minha - e apesar da foto ter sido tirada pela linda da Angel Monteiro, o conceito foi pensado por mim e o modelo sou eu, rs. Pra representar essa mudança, nada melhor do que tentar ilustrar essa liberdade que é se desprender das amarras do oceano infinito de imagens que nunca serão exatamente do jeito que você quer. Se elas não forem, então crie novas que serão.
Foto: Angel Monteiro


16 de set. de 2014

Sobre crises

Nesses últimos dias, entrei numa crise que mistura abstinência e falta de interesse. Explico-me: tentei, por inúmeras vezes, escrever algum texto para esse bendito blog, mas nada vingou ou me agradou no seu resultado final. Comecei a achar meus textos simplesmente sem utilidades e desinteressantes. Não que algum dia essas duas características tivessem sido suas marcas registradas, mas a falta delas nunca me incomodou de fato. Até agora.

Sento minha bunda na cama (porque não tenho uma mesa para trabalhar) e tento desenvolver alguns pensamentos e opiniões que surgem vez ou outra na cachola. Eu tenho bastante coisa pra dizer, mas ultimamente tudo tem me parecido tão inútil e esquecível que eu desisto de escrever na metade.

O que eu queria mesmo era sentir aquela vontade incontrolável que vem lá do fundo do estômago quando a gente está escrevendo alguma coisa tão interessante, mas tão interessante, que não existe a possibilidade dos seus dedos pararem de digitar por dois segundos pra revisar o texto. Revisar eu faço depois, quando terminar de escrever tudo o que me veio à mente. E no máximo a revisão vai servir pra corrigir umas letras intrusas que se enfiaram nas palavras enquanto meus dedos digitavam freneticamente. Porque o calor do momento também contribui e muito pra que um texto se torne interessante.

E interessante é uma característica indispensável pra que um texto exista. Porque o autor, antes de apenas despejar litros de palavras em algum lugar, precisa achar suas próprias palavras interessantes. Não falo só do texto que a gente pensou aqui na cabeça, o que existe antes no mundo das ideias. Depois de ser concretizado de fato, ele precisa continuar interessante. E não tem que ser só pro Fulano que vai ler. Antes de qualquer coisa, o próprio autor precisa sentir uma vontade, daqui a uns três dias ou uns quatro meses, de abrir o blog e lê-lo de novo, talvez sentir um pouquinho de orgulho por ter escrito algo que considere relevantemente interessante. E compartilhar de novo no Facebook, de tão bom que ele parece.

Mas infelizmente, no final das contas, eu só tenho sentido fome e sono.

Encontrei aqui.

19 de mai. de 2014

Agora, triste

Ligo o computador. A playlist já tá pronta, só preciso dar o play. Não vou ouvir baterias barulhentas, palminhas, sintetizadores ou gritos. Vai ser calmaria. Quero continuar deitado na minha cama, encarando o teto branco e sem graça, me sentindo simplesmente triste.

Não quero minha comida preferida, não quero aquela música que me faz dançar, não quero a lembrança dos bons momentos que eu vivi, não quero os meus amigos que me fazem minha barriga doer de tanto rir, não quero pensar, não quero brincar, não quero ser feliz. Não agora.

Quero ficar parado, ali, sem saber exatamente o motivo de querer tanta tristeza. Só sei que quero continuar ouvindo aquela melodia triste, cantada por uma voz triste, que sente a mesma coisa que eu.

Acho que o dia foi cheio, nem tudo deu certo, eu fiz alguma besteira enorme e eu sei que faz parte da vida e não tô reclamando disso, eu juro. Só que deu vontade de aproveitar a tristeza que eu tô sentindo. Sei que ela vai me fazer bem, mesmo que não seja agora.

Encontrei aqui.

5 de mai. de 2014

Um mo(vi)mento

É incrível como a coisa flui, pelo menos pra mim. Basta um movimento interessante de alguém na rua, um estranho que eu nunca vi mais gordo, mas que levantou o braço de um jeito tão... tão... sei nem descrever. E aquele movimento aparentemente simples fica gravado na minha memória, rodando no repeat, até eu escutar aquela música que eu sempre quis coreografar. E tem aquela parte muito bonita da letra que diz que o amor é complicado, mas isso pouco importa no final das contas. Ficaria tão bonito aquele movimento de braço na hora que o cantor canta isso, quando a guitarra chora. E aí já era. Me vem outro movimento, vou experimentando aleatoriamente, essa música é tão bonita, a perna levanta nessa hora, and it's never enough, love is never enough without you, e a música acaba.

A coisa nem sempre fica perfeitamente bonita, mas dá pra ir aperfeiçoando com o tempo. Queria mesmo era encontrar aquele estranho na rua e dizer obrigado. Ou quem sabe mostrar pra ele como ficou a coreografia, ou só dar um abraço, sei lá.

Photo: Renan Mendes | Modelo: Filipe Lobato

27 de abr. de 2014

Acúmulo

Sentei na frente do computador sem esperar muita coisa. Afinal, fazia muito tempo, nem me lembro desde quando, que aquela velha conhecida vontade de transformar tudo em palavra havia morrido. Foi de repente, assim como acontece com muita gente. Um dia tá tudo bem, melhor impossível, e quando vai ver, acaba, ponto final.

Não teve choro, não teve velório. Sempre achei que sem tanto drama fica mais fácil de aceitar qualquer perda, então eu não dramatizo e paro de pensar tanto no assunto. Um amigo meu vive me dizendo que meu coração deve estar cheio de lágrimas não choradas, de dores não colocadas pra fora e ele tem certeza que um dia eu vou transbordar e tudo vai vazar de uma só vez, inundando tudo. Não sei se eu acredito nele, mas o fato é que em todos esses anos nunca ouve nenhum prenúncio ou aviso divino de que meu dilúvio estivesse prestes a acontecer. Então eu continuo evitando o drama, assim como eu fiz quando minha vontade de escrever morreu.

O fato é que naquele dia alguma coisa parecia diferente. É bem clichê dizer isso, mas eu sentia que alguma coisa tinha mudado. O quê? Eu não fazia a menor ideia. Foi por isso que eu revisitei todas as minhas perdas pra ver se a mudança tinha alguma coisa a ver com elas.

Comecei com o violão, que meu pai me deu de aniversário aos 12 anos e que foi abandonado três meses depois. Eu até tocava bem, mas depois enjoei. Mas a vontade podia ter voltado, não é? Peguei o violão, dei uma limpada no bicho que tava mais empoeirado que meus CDs na estante da sala e dedilhei as cordas. Foi um sentimento estranho e ruim. Sei lá, eu me sentia errado segurando aquele instrumento. Eu não me lembrava de muitos acordes, então não pude fazer muita coisa a não ser colocá-lo de volta no canto do quarto.

Então sentei no computador, como já disse. Abri uma página em branco pra ver o que acontecia e aconteceu. Começou com a letra 'a' e depois uma palavra, uma frase, um parágrafo. Eu transbordei. Meu dilúvio finalmente aconteceu e as minhas palavras eram gotas da chuva e o som dos meus dedos tocando freneticamente várias letras no teclado preto era o trovão.

Só que depois de um tempo, parecia que minhas mãos não eram rápidas o suficiente pra acompanhar toda a tempestade que acontecia dentro de mim, toda a euforia e tristeza misturadas com o alívio que percorria o meu corpo inteiro. Foi aí que comecei a transbordar pelos olhos, sentindo o dilúvio esquentando meu rosto, borrando minha visão e não me deixando mais ler o que eu escrevia na tela. Mas isso pouco importava. Eu sentia o que eu queria escrever e era muito mais forte do que qualquer palavra que eu digitasse no teclado. E eu continuei sentindo até que eu me vi fraco demais pra conseguir sobreviver ao meu próprio dilúvio.

Teve choro, teve velório.
Photo: weheartit

25 de fev. de 2014

Natural demais

Era mais um dia normal como sempre, muito obrigado, até eu ler uma matéria sobre o caso Madeleine McCann, que vai completar seis anos em maio. A menina desapareceu em 2007, do quarto de um hotel português onde a família estava hospedada passando férias. Eu tinha me esquecido desse caso, confesso. Mas depois de ler o texto, minha cabeça fervilhou tanto que só me restou escrever.

Eu não consigo imaginar a angústia dos pais da menina quando descobriram que a filha havia desaparecido. E mais difícil ainda é imaginar como esses pais conseguiram viver esses quase 6 anos sem notícia alguma, sem saber se ela está bem ou se está viva. Eles estão esse tempo todo no escuro e eu não consigo deixar de pensar em como deve ser horrível viver um pesadelo que não termina quando eles acordam toda manhã. Será que você conseguiria?

Eu não consigo entender os motivos que levam algumas pessoas a cometerem atrocidades como essas - ou piores. Apesar de não entender, hoje em dia eu já não duvido do nível de crueldade das pessoas. É cada notícia absurdamente cruel que se lê nos jornais que depois de um tempo pouca coisa começa a te surpreender. Infelizmente. 

Dia desses eu tava no ônibus e um casal vinha conversando no banco da frente. Mesmo com fones no ouvido, não pude deixar de ouvir o garoto quase gritando pra todo mundo ouvir sobre as quatro pessoas que foram mortas na semana passada na rua onde morava. Inclusive ele achava até estranho que já era quinta-feira e ninguém mais tinha morrido por lá. Virou rotina.

Eu me assusto com essa "naturalidade" que eu noto muitas vezes nas vozes das pessoas (e na minha também) ao falar dessa violência, que estampa diariamente as capas dos jornais - e todo dia de manhã, num ponto de venda de jornais, você encontra uma rodinha de pessoas dando uma olhada nas principais notícias do dia pra ver quanto sangue foi derramado ontem. E o que não falta é sangue nos jornais. Tem sangue demais, segurança de menos, mas a gente já se acostumou com isso, não é mesmo? Não é?

Photo: weheartit

16 de fev. de 2014

Things will change if...

Achei aqui, ó: http://amortizing.tumblr.com/
Calma, calma. Não precisa de tudo isso. Eu sei que tá tudo uma merda e provavelmente as coisas vão continuar assim por um tempo. Mas é só por um tempo. Depois passa, as coisas mudam. Lembra da última vez? Foi exatamente assim como eu tô te falando. Confia em mim.

Pode ser que os teus problemas não se resolvam completamente. Mas depois de um tempo a gente aprende a lidar com eles. Uma hora a gente cresce e ao menos aprende um jeito de não deixar toda essa merda atrapalhar o resto da vida. Vai por mim, isso já aconteceu comigo e foi exatamente assim.

Então deixa de tanta neura e começa a pensar direito, começa a procurar soluções e o melhor jeito de resolver as coisas. Porque tudo bem sentar e chorar no começo, mas depois é preciso parar de mimimi e fazer alguma coisa. Senão é bem capaz de tudo continuar do jeito que tá e não vais poder culpar ninguém além de ti mesmo.

18 de jan. de 2014

What are you afraid of?

Encontrei aqui.
Então, senta aí, fala pra mim. Do que você tem medo? Aranhas, baratas, cobras, leões? Talvez eu tenha medo de leões porque eles são maiores do que eu, mas não saio correndo toda vez que vejo uma barata ou uma aranha subindo pela parede. Mas cada um tem seu medo, né? Quem sou eu pra julgar? 

Um amigo meu disse que tinha medo de ficar sozinho pelo resto da vida. E ele não é o primeiro a me dizer isso. Ontem mesmo eu li um texto da Martha Medeiros falando sobre esse mesmo medo. Minha tia me disse uma vez que, quando pequena, morria de medo do escuro e que até hoje ela se sente incomodada de dormir com as luzes apagadas, dorme no claro.

Eu, por exemplo, tenho medo de altura. Mas não é bem isso, na verdade. Eu tenho medo de uma altura insegura, sabe? No 30º andar de um prédio, olhando a cidade pela janela, tá tudo bem, eu sei que não vou me jogar dali e dificilmente vou cair. Mas subir numa simples árvore não é uma sensação muito legal, nem em um muro, quem dirá uma escada velha. E nem é tão alto quanto o 30º andar, mas é que é bem mais difícil o prédio cair ou eu me jogar dali do que a escada quebrar ou eu escorregar da árvore, não acha?

Você tem medo da morte? Conheço muita gente que morre de medo de morrer. Eu já pensei muitas vezes sobre esse assunto e cheguei à conclusão de que não tenho medo de morrer, só me preocupo se vai doer muito, sabe? Não bato cabeça pensando em tudo o que vou deixar pra trás e o que eu não vou poder viver, até porque eu não vou lembrar nada disso, afinal eu vou estar morto mesmo.

Mas esses são os meus medos, minhas neuras. Você ficou calado o tempo todo. Então me conta, você tem medo de quê?

28 de dez. de 2013

48 meses

Eu poderia começar esse texto falando sobre como as coisas mudam em quatro anos. E eu não estaria mentindo. Mas aí seria a mesma coisa de todos os outros textos de aniversário que eu escrevo pro blog e eu já cansei. Foi aí que resolvi fazer algo diferente. É bem provável que alguém já tenha feito isso por aí, mas eu nunca fiz, então é novidade.

São quatro anos. 48 meses com esse blog no ar. Então, pra quem tiver saco, aqui estão 48 coisas sobre o blog e o blogueiro que vos escreve.

(Ah, se as lindas do Minha Vida Como Ela É e Língua e Imagem quiserem fazer isso de acordo com os meses que os blogs dela têm de vida, ficarei super feliz em ler.)


1. Esse blog quase foi abandonado depois da sua criação.
2. Outros 3 blogs tinham sido abandonados antes desse, então eu tinha quase certeza de que esse também seria. Era a lógica.
3. Meus textos eram mais idiotas do que são hoje.
4. Eu usava esse blog como um diário, daqueles que contavam sobre o meu dia e tudo o mais. Pelo menos os textos não começavam com "querido diário...".
5. Sim, vai lá olhar os meus primeiros textos pra comprovar.
6. Dos textos que eu escrevo, poucos são os que eu realmente gosto.
7. Todos os meus textos são baseados em histórias verdadeiras, minhas e de outras pessoas.
8. E poucas são as pessoas que sabem exatamente quais deles são sobre a minha vida ou de outras pessoas.
9. Inclusive eu já escrevi um texto sobre escrever textos baseados na vida de outras pessoas.
10. Eu passei a andar com um pequeno caderno na mochila depois que eu percebi que perdia muitas ideias por não anotá-las na hora em que me vêm à mente.
11. É por isso que devo ter quase 50 textos não acabados.
12. E 25 textos prontos pra serem publicados aqui no blog.
13. Eu sempre gostei de ler, desde pequeno. Deve ser por isso que gosto de escrever.
14. Eu aprendi a ler com os gibis da Turma da Mônica <3 o:p="">
15. Inclusive eu ensinei minha prima mais nova a ler também com os gibis da Mônica.
16. Eu adorava cadernos de caligrafia.
17. Foi por causa deles que minha letra mudou tanto ao longo dos anos.
18. Na verdade, até hoje ela sofre sutis alterações.
19. Isso é horrível quando se trata de documentos, porque a assinatura da minha identidade não é mais a mesma. Aí eu tenho que imitá-la.
20. Eu prefiro mil vezes escrever em papel que digitar, apesar de ser muito mais rápido no computador.
21. Eu sempre quis ter uma máquina de datilografar, mas quando eu ganhei uma, ela quebrou logo depois.
22. Eu normalmente escrevo os meus textos ouvindo músicas (e isso se aplica a listas também, inclusive ouvindo k-pop agora).
23. Falando em música, eu criei outro blog pra fazer críticas musicais, mas ele só tem o layout pronto e nada mais.
24. Esse blog já teve tantos outros nomes e tantos outros layouts que eu nem sei contar.
25. Foi por isso que depois eu o nomeei Inconstante. Casou perfeitamente.
26. Mas aí então eu fiz uma promessa de só trocar o layout dele de ano em ano, normalmente no aniversário. E aqui ele está.
27. Eu gosto tanto de mexer na identidade visual do blog que tenho outras 3 propostas de layout que ainda pretendo usar um dia.
28. Esse deveria ser o texto de número 200, justo no dia em que o blog faz 4 anos. Mas aí eu fiquei confuso porque isso não é bem um texto, é uma lista. Mas vou contar mesmo assim.
29. Eu tive a ideia de fazer essa lista depois de perceber que todo texto de aniversário do blog era quase a mesma coisa.
30. Eu vivo um grande dilema na minha vida: achar que todos os textos que escrevo são parecidos com algum outro que eu já escrevi um dia.
31. Uma das maiores dificuldades de ser blogueiro: encontrar imagens que combinem perfeitamente com o texto.
32. Esse problema seria resolvido se eu mesmo fizesse as minhas fotos, mas isso demanda tempo, dinheiro e segurança na cidade, mesmo que eu adore fotografar. Por isso uso imagens de outras pessoas (dando o devido crédito, é claro).
34. Eu também queria saber desenhar pra que eu pudesse ilustrar os meus textos, mas eu desenho muito mal.
35. Inclusive um dos layouts que eu tenho guardado é todo feito de desenhos a mão, mas aí eu também queria que todos os textos tivessem imagens assim e fica complicado quando você não gosta dos próprios desenhos e nem pode pagar alguém pra fazer isso, né?
36. Demoro 6537659 milhões de anos pra dar título aos meus textos. E eu nunca acho que eles ficam bons o suficiente.
37. Pesquisas apontam que meus textos melhoraram 56348% depois que comecei a fazer Jornalismo.
38. Quase tanto quanto escrever, eu adoro revisar textos de outras pessoas (quando elas me pedem, é claro).
39. Infelizmente hoje em dia eu leio menos blogs do que eu acostumava ler ano passado.
40. Assim como os textos que eu escrevo, gosto de blogs na categoria crônicas/contos.
41. E sim, eu julgo um blog pela aparência.
42. Minha maior surpresa do ano foi encontrar o blog Minha Vida Como Ela É, da Ana Luísa. Uma doçura de ler.
43. Odeio pessoas que comentam nos textos pedindo pra gente ir ler o blog deles.
44. Só comento nos textos dos outros quando eu gosto muito ou quando tenho algo a dizer sobre.
45. Através de blogs, já conheci duas pessoas que foram muito importantes na vida real.
46. Fico dividido entre a vergonha e a confusão quando as pessoas dizem que adoram os meus textos. Ai, valeu, mas como assim tu gosta daquelas coisas, gente?
47. Quatro anos de blog e eu fico super feliz de ainda sentir um enorme prazer em tocar esse projeto em diante.
48. Me desejo pelo menos mais quatro anos de sentimentos extravasados em textos. Amém.

6 de dez. de 2013

Contradição

Abri um documento e fiquei olhando para tela do notebook, esperando alguma coisa acontecer: uma ideia surgir, algo sobre o que escrever ou quem sabe o sono chegar. Uma ideia surgiu, vaga e corriqueira, algo sobre o qual eu já tinha escrito, mas dessa vez sob um novo ponto de vista. É sempre bom analisar algo de todos os ângulos possíveis, tirar a conclusão depois de ter certeza de ter verificado tudo, diminuindo a probabilidade de se falar besteira ou julgar precipitadamente.

Então comecei a escrever algumas palavras, uma frase, três períodos e o primeiro parágrafo estava concluído. Foi quando eu percebi que já não sabia mais o que escrever. Tudo bem, já escrevi textos curtos antes, inclusive alguns com duas linhas apenas (você chama isso de texto?). O problema é que aquele texto me parecia incompleto.

Inexplicavelmente faltava alguma coisa. E essa sensação incomodava. Como se não bastasse, ainda tinha a certeza de que não havia mais nada que eu pudesse acrescentar àquilo. Contradição da vida que até hoje eu não consigo entender. E eu tentei bastante, mas chega uma hora em que não se pode mais, que existem outras coisas para se preocupar e a gente substitui as velhas preocupações pelas novas mais urgentes, ou apenas mais intrigantes. Acontece.


Alguns dizem que isso nos ajuda a crescer. Talvez seja mesmo, como forma de aprender que nem tudo possui resposta, que algumas coisas simplesmente são e pronto. Quem sabe? Só sei que a contradição continuou, a sensação de falta também e o sono finalmente chegou. Achei melhor me entregar às necessidades do corpo e descansar a mente. Quem sabe a resposta não me viria nos sonhos? As coisas são tão estranhas que eu não duvido nada que isso seja possível.

Photo: weheartit

24 de nov. de 2013

O lado bom

Photo: Renan Mendes
Tenho alguns arranhões no rosto, uns machucados nas pernas e dores pelo corpo todo. Quebrei a cara. Foi horrível, como sempre é toda vez que as coisas não saem do jeito que imaginamos, quando as pessoas não se importam com os nossos sentimentos, quando todo mundo espera o impossível de você e tudo o que você quer é paz pra fazer as coisas do seu jeito, sem pressão. O mundo nunca foi e nunca vai ser perfeito, do jeito que – pelo menos nós achamos que – deveria ser. Foi desde quando eu realmente percebi isso que eu tomei a decisão de sempre procurar o lado bom das coisas que acontecem comigo. Graças aos céus, a maioria delas só possui o lado bom, mas ainda existe a minoria. Nessa outra parte, as pessoas são maldosas e não se importam em me machucar; nessa parte eu crio expectativas com projetos que não dão certo, que fracassam, que me frustram; é nessa parte que algumas coisas que eu tinha certeza que durariam pra sempre terminam por besteiras; é aí que eu fico perdido me perguntando se eu tô fazendo a coisa certa com a minha vida, se eu tô fazendo as coisas certas para as pessoas, se eu tô sendo bom o suficiente com pessoas que são boas o suficiente comigo. E a lista não terminaria, porque essas coisas acontecem com todo mundo e não seria diferente comigo. Mas eu posso lidar de maneira diferente com essa outra parte da vida. Eu posso aceitar que algumas coisas fogem do meu controle, que não poderiam ser diferentes e eu tento buscar o que essas coisas podem me ensinar. Foi horrível ver aquele projeto não dar certo? Foi, sim. Mas ele não deu certo porque tinha muita gente envolvida que não se envolveu de verdade. Da próxima vez, vou selecionar melhor e quem sabe trabalhar de outro jeito pra que as coisas possam ter mais chances de dar certo. Não fui bem numa prova importante? Ok, agora já foi. Mas eu posso estudar e me esforçar mais pra que isso não aconteça de novo. Pessoas que eram próximas de mim não estão mais na minha vida? Vou procurar os motivos pra isso ter acontecido. Se der pra consertar, ótimo. Caso não dê, vou tentar ao máximo não cometer os mesmos erros outra vez. E assim eu resolvi levar a vida, pra que as coisas ruins que ela traz não se tornem maiores que as coisas boas que eu vivo todo dia.


20 de nov. de 2013

Antes de entrar no palco

A todas as pessoas que dançam comigo, 
seja dentro ou fora do palco. 

Começa um dia antes. O aviso no celular te lembra que já é amanhã, o professor dá as últimas dicas durante a aula e aí o sentimento vai ficando cada vez mais forte. O dia chega e eu já acordo naquela expectativa boa, empolgante, contagiante. Tem outros assuntos pra resolver antes do momento acontecer? O sentimento não vai embora, continua lá. Por mais que eu me distraia por algum tempo, nunca parece que é tempo suficiente pra esquecer aquele formigamento no fundo do estômago – claro, um formigamento bom, não gastrite (ainda).

E o tempo vai passando, a hora vai chegando e eu fico relembrando tudo o que eu tenho que fazer na hora. O que eu preciso tá comigo? Não esqueci nada? Ah, então tudo certo, é só chegar e fazer o meu melhor. Quer dizer, fazer o meu melhor e esperar que os outros também façam os seus. Porque eu não tô sozinho nessa. Felizmente. Fica mais fácil e divertido dividir essa ansiedade pré-apresentação. Como será que o público vai reagir? Será que eles vão prestar atenção nessa parte, que foi pensada exatamente pra que eles fiquem impressionados? Eles vão ficar impressionados? Eles vão gostar? A gente vai gostar? Um milhão de coisas na cabeça antes de entrar no palco. E às vezes tudo o que você consegue fazer é rir feito bobo. Rir de você mesmo, do outro, com o outro.

Uma espiadinha pela coxia (quando ela existe, claro) pra ver a plateia: quem são os rostos pra quem eu vou dançar dessa vez? Sim, alguns já são familiares, que reconfortante! Mas tem gente nova, sempre tem. Ainda bem. Novidade pra eles que vão ver a coreografia pela primeira vez e novidade pra nós, que vamos ter que fazer com que esse público novato sinta tudo o que a gente sentiu durante a construção do número. E esse calor no corpo não existe só porque é preciso se aquecer antes de entrar no palco. Ele já tá lá desde o momento em que a gente sabe que vai fazer uma das coisas que mais gosta de fazer na vida: dançar.

Photo: Túlio Veríssimo

10 de nov. de 2013

O acaso da criação

Photo: Tá no Mutável, mas quem dera fosse minha.
Acho incrível o motivo de alguns textos nascerem. Pelo menos comigo, a maioria deles nasce do acaso. Não é que eu nunca parei pra pensar sobre os fins dos meus relacionamentos ou sobre a saudade de que eu sinto das pessoas ou ainda sobre como cada uma delas desperta algo diferente em mim. A questão é que, desde quando eu comecei a escrever, eu passei a pensar nos temas do meu texto meio que sem querer. Foi um olhar de alguém na rua que me lembrou de uma pessoa que um dia foi muito importante pra mim. Foi uma frase dita por um estranho no ônibus que me fez pensar o quanto gastamos tempo e energia reclamando de tudo e de todos e fazendo pouco pra mudar o que nos incomoda. Foi uma imagem, uma música, um gesto que me fez lembrar aquele meu antigo caso ou que me fez passar horas imaginando a história de uma pessoa e, a partir dela, criar minhas próprias histórias. Eu acho no mínimo curioso o jeito como esses meus textos surgem. Não sei se acontece com todo mundo ou esse é meu jeito de escrever, só sei que acontece assim. Só espero que o acaso se faça presente por muito tempo na minha vida. Ele tem me feito um bem danado, literariamente falando.

7 de set. de 2013

I love you too, Português

Photo: weheartit
Se você me conhece ou pelo menos conviveu algum tempo comigo, deve saber que eu sou apaixonado por inglês. Isso tudo é culpa da música. Desde pequeno sempre gostei mais de músicas internacionais e até hoje ainda prefiro cantar I love you a Eu te amo. E depois da música vieram os filmes, o cursinho de inglês, as séries, hoje os livros, e então o inglês nunca mais saiu da minha vida - tendo sido, inclusive, considerado como possibilidade na hora de escolher o que eu ia fazer na faculdade. Apesar de todo o meu amor pela língua e, consequentemente, pela cultura, isso não significa, de maneira nenhuma, que eu não goste do bom e velho português.

Mesmo acreditando que gostar de certa língua não anula o fato de eu poder gostar de outra, já ouvi muitas pessoas dizendo que eu "deveria dar mais valor a cultura do meu país". Não vou entrar, assim como não entrei, na discussão de qual cultura é melhor - até porque isso não é uma competição, não existe vencedor. O que algumas pessoas não entendem é que eu não desprezo a minha cultura, longe disso. Só que assim como eu me identifico com elementos da cultura brasileira, eu também me identifico com a cultura de outros países. Ainda bem que hoje é possível conhecer praticamente o mundo inteiro. Santa Globalização! (Não sei do que seria de mim se eu não conhecesse um pouco da cultura coreana e não escutasse K-Pop hoje.)

O fato é que identificação com elementos de uma cultura não te leva, necessariamente, a exclusão de outra. Tanto é que, por mais amor que eu tenha pela língua inglesa, prefiro imensamente ler textos escritos em português - sejam eles de autoria brasileira ou bem traduzidos. Nada flui tão bem, na minha opinião, quanto a junção das palavras e a construção das frases de um texto em português - ou em brasileiro, como preferir. Sujeitos, predicados, apostos, vocativos, advérbios, frases, orações, períodos e o que mais a nossa complexa língua nos puder permitir. Eu acho isso lindo. Assim como eu também acho lindo o inglês das músicas Alanis, do Paramore, dos livros da JK Rowling, o coreano cantado pela Ailee, o francês das músicas pop que Jenifer faz, o espanhol literário e jornalístico de Gabriel Garcia Márquez e o que mais eu puder agregar ao meu gostar. Agregar sempre, não excluir.

24 de ago. de 2013

Comparações desnecessárias

Photo: weheartit
Dias desses eu tava lendo no site da Superinteressante uma matéria sobre leis intolerantes aplicadas mundo afora. Se você também leu a matéria, vai concordar com o título dela. É cada lei mais absurdamente intolerante do que a outra. Mas não é exatamente sobre cada uma delas que eu quero falar.

Após ler a matéria e me horrorizar com algumas leis que eu desconhecia (sério que no Azerbaijão não se pode manifestar a sua religião sem consentimento do governo?), me deparei com um comentário que foi o motivo deste texto. Era um comentário de uma garota que perguntava exatamente assim: "Quem vai começar a reclamar do Brasil?".

Sempre ouvi muita gente dizer pra mim, quando eu estava nos meus dias de problemas e coisas dando errado, que eu "não deveria reclamar porque existe gente pior do que você". Nunca duvidei do fato de existir gente em situação que nem nos meus sonhos mais loucos eu poderia imaginar, mas será mesmo que isso faz com que eu perca o meu direito de reclamar e de me importar com as coisas erradas que acontecem comigo e ao meu redor? Eu particularmente acho que não.

Ao mesmo tempo que se deve reconhecer que às vezes pode ser exagero nosso - ou mesmo muita besteira -, cada um sabe dos seus limites e do quanto os problemas e as injustiças do dia a dia, por menores que sejam, afetam a nossa vida. E não é porque eu estar "menos" pior do que alguém que passa fome na África, por exemplo, que eu vou simplesmente parar de reclamar e continuar vivendo a minha vida como se ela fosse perfeita. Por mais que seus problemas e injustiças não sejam assim tão grandes, a vontade de fazer a coisa certa, seja pra você mesmo ou pro outro, não deve se acomodar.

Reclame, sim, nem que seja por besteira. Mas que logo depois você possa levantar e fazer alguma coisa pra mudar o que te incomoda, o que é errado, o que te faz mal, o que faz mal às pessoas que você ama. E se você também puder ajudar as mulheres que são condenadas a chibatadas por fazerem sexo antes do casamento, lá nas Ilhas Maldivas, melhor ainda. Ajudar a melhorar o mundo, seja o seu ou o de outro alguém, é atitude mais válida do que comparar a realidade daqui com a de lá.

23 de jun. de 2013

Decidido

Eu nunca tive certeza de muita coisa na minha vida. Não-seis, talvezes, incertezas. Será que isso é o certo a se fazer? Eu realmente vou ser feliz se eu seguir por esse caminho? Mas que caminho é esse? Eu tô realmente aqui porque eu quero estar? Ou eu só estou? O que eu acho sobre aquele filme? E aquele livro que li semana passada? E a política interna, como anda? O que é política interna mesmo?

Uma das poucas certezas que tenho na vida é que nunca fui certo de muito. Nunca achei isso bom, mas não conseguia encontrar o jeito certo de mudar esse meu jeito. Não, esse texto não tem o propósito de anunciar a descoberta da solução do meu maior problema. Infelizmente. Mas, pelo menos, esse texto serve pra gritar ao mundo inteiro que eu finalmente abracei a coragem que eu tinha medo de ao menos tocar. Coragem de tentar mudar essa minha realidade, coragem pra mudar o meu eu. Sair da minha inércia e procurar o eu satisfeito e feliz de fazer as coisas que eu faço. Porque não, eu não estou feliz. Talvez não seja o jornalismo que eu ando estudando e esteja sendo formado pra exercer. Talvez não seja o trabalho mecanicista que eu tenho realizado de duas às seis da tarde, de segunda a sexta. Que fique bem claro: o problema não é o jornalismo ou o mecanicismo: sou eu, que estou no lugar errado. Aquela velha história do “não é você, sou eu”. Sou eu que não tinha coragem pra procurar algo que me fizesse realmente querer levantar da cama, acordar com vontade de viver o meu dia da melhor forma possível, trabalhando da melhor forma, sendo alguém melhor, fazendo algo melhor por mim – sendo feliz por mim. Porque eu venho vivendo há muito tempo em função de outros que não eu. Altruísta pra caralho. E eu preciso parar de pensar tanto nos outros, fazer pelos outros, viver pelos outros. Preciso lembrar de mim, de que eu existo e de que não adianta sorrir para todo mundo e no fim do dia chorar no quarto, batendo cabeça pra encontrar uma solução pra minha infelicidade e ao mesmo tempo querendo deixar todo mundo ao meu redor feliz também. É impossível abraçar o mundo, eu sou pequeno demais pra isso. Então melhor é eu começar a me abraçar e fazer valer a pena cada dia vivido.

Não vai ser do dia pra noite, tenho pela consciência disso. E não vou ser louco de jogar tudo pro alto e recomeçar do zero. Não sou tão corajoso assim. Um passo de cada vez, porque apesar de eu ter certeza de que não encontrei meu lugar, eu ainda não sei qual ele é, afinal. Vou começar a tatear no escuro, procurando pelo desconhecido e torcendo pra que eu esbarre na felicidade no meio do caminho. Mas continuar parado aqui não dá mais.

27 de mai. de 2013

Administração

Photo: weheartit
Não, não vou largar o jornalismo e trocar de curso. Não por administração, sem ofensas. Aqui, a palavra administração vem no seu sentido mais básico: ação de administrar, de dirigir os negócios públicos ou privados, de gerir bens. Preciso, urgentemente, começar a administrar melhor a minha vida. Faculdade, estágio, dança, projetos paralelos, família, lazer - ih!, minha vida anda realmente uma bagunça. Mas tudo isso é culpa minha, culpa desse meu ser preguiçoso que poderia muito bem parar por alguns minutos e organizar meus horários e afazeres. Ah, mas não vai ter tanto problema se eu entrar rapidinho no Facebook pra falar com meus amigos. É só mais um vídeo no Youtube, daqui a pouco eu começo a ler meu texto sobre comunicação e cultura. Que preguiça de sair da cama... E que vontade de reler meus livros do Harry Potter. Sim, eu sei que tenho que acordar cedo amanhã pra resolver uns problemas no banco, mas juro que eu não demoro.

No fim, se resume a preguiça e procrastinação. E depois eu ainda venho, na maior cara de pau, reclamar da vida e do mundo. Não aguento mais essas minhas manias e as minhas olheiras do tamanho do mundo. Cansei. Quer saber? Vou mudar. Mas deixa eu só postar esse meu texto e atualizar meu Facebook que eu começo a mudar já, já.

12 de mar. de 2013

Mais

Photo: weheartit

Ando querendo mais tempo. Não que eu ande sobrecarregado e sem tempo pra respirar, mas tempo nunca é demais. É igual chocolate. Ou sexo. Ou chocolate com sexo. Ando sentindo falta de fazer algumas coisas que simplesmente eu não conseguia viver sem – e não tô falando de sexo. Livros, por exemplo. Na verdade, livros principalmente. Ah!, como eu ando querendo tempo pra deitar na cama, abrir um daqueles cinco livros que comprei e ainda nem comecei a ler e simplesmente lê-los. Sem compromissos, apenas me deixando levar pela vontade de querer mais e mais. Eu não posso me dar ao luxo de fazer isso sempre. Tenho outras coisas pra fazer e pra ler, que não são necessariamente ruins, mas às vezes se tornam ruins por obrigação. E tenho outros compromissos e bastante tempo perdido no trajeto até eles, na volta pra casa – que infelizmente não me dá possibilidade de abrir um livro no meio do ônibus lotado e ler.

E filmes? Ah, saudade de pipoca, leite condensado e refrigerante, o notebook jogado no chão, assim como eu. Vontade de tempo – e de segurança – pra sair pelas ruas, em um dia qualquer, e fotografar qualquer coisa que meus olhos acharem bonitos, que eu achar que valha a pena ser registrado, que valha a pena ser lembrado. Perder-se no tempo é um sentimento ruim.

Pelo menos a música nunca saiu da minha rotina completamente (saudades, violão). Dou um jeito, vou com os fones no ouvido durante a ida pra faculdade e ainda encontro um tempinho pra me arriscar a aprender hip hop. Disso eu não reclamo muito.

No final das contas, mesmo com tanta coisa pra fazer, acho que o ponto é organizar meu tempo. Mas juro que eu não importaria se o governo ou o novo papa ou qualquer poder supremo adicionasse umas horas a mais no dia. Juro que parava de reclamar de não ter tempo pra essas coisas – por enquanto.

25 de fev. de 2013

Vivendo lá


Os melhores textos nascem de emoções à flor da pele. Particularmente, os meus nascem depois de histórias, de filmes. Não importa se no cinema ou na poltrona no sofá ou deitado na minha cama lendo um livro, um pequeno caderno e uma caneta sempre estão por perto. Eles se fazem extremamente necessário quando eu dedico um punhado do meu tempo para viver uma história que não é a minha – por enquanto. É ser espectador que deixa as coisas mais interessantes. É poder me envolver de maneira intensa com tudo o que eu vejo e leio e logo após poder desfrutar do sentimento que me preenche no final. Felicidade, dor, morte, alívio, medo, esperança – não importa muito. Eu posso muito bem me aproveitar disso e transformá-los em palavras, em outras histórias, em minhas histórias. E eu os transformo, sem amarras nem medo de represálias ou acusações de “plágio”. Eu sou o dono da liberdade pra dar forma ao que eu sinto e posso usá-la como bem entender. E vou usando enquanto o sentimento estiver percorrendo o meu corpo, até ele se esvair. Uma hora ele se vai por completo, mas deixa palavras, as histórias. É mais um motivo pra eu escrever: tentar aumentar o tempo de vida de sentimentos diversos que me são proporcionados por outros meios que não sejam a vida em ação. Viver é o que precisa ser feito, não há discussão, mas não há mal nenhum em viver outra vida por algum tempo. Aliás, faz muito bem pra alma. E pra redação.

Photo: thiii