Mostrando postagens com marcador indagações. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador indagações. Mostrar todas as postagens

13 de jul. de 2015

Suficiente

Acho que as palavras não bastam para concretizar tudo o que sinto aqui dentro do peito esses tempos. As minhas e tampouco de algum escritor famoso, nem de todos os livros já publicados no mundo. 

Na verdade, não seria preciso todas as 222 palavras contidas nesse texto pra listar as qualidades e defeitos que fazem dele o que ele é.

Nenhuma música seria capaz de englobar tudo o que eu preciso dizer para ele. Ninguém conseguiu compor tal canção. Eu, inclusive, dispensaria as mais de 50 músicas que já compus e todas as melodias que já dedilhei no meu velho violão. Todas insuficientes.

Nossos filmes preferidos não chegam perto do significado que ele tem para mim. Pode até parecer dependência ou que ele é a peça que completa esse quebra-cabeças louco que é a minha vida. Mas ele é mais. Ele me transborda e é por isso que dificilmente uma carta, uma fotografia, uma dança, um coral inteiro conseguiria reproduzir com exatidão o que eu sinto por ele.

Mas existe algo que é tão, mas tão simples, que é extremamente eficaz quando se trata de mostrar o que eu sinto. Eu dispensaria tudo e apenas usaria meus dois braços, apertando o corpo inteiro dele num abraço que diria muito mais do que qualquer meio de comunicação existente no universo inteiro. 

E pronto.

15 de out. de 2014

Tê-la


Aquele gosto impregnou por mais de uma semana. Comeu coisas estranhas, escovou os dentes, bebeu vinho, mas o gosto continuava ali. Juntamente com o gosto, a lembrança dela. Da boca macia, dos lábios rosados, da pele suave, dos olhos cor de mel, do cabelo negro; a garota sem nome. Nem importava muito, na opinião dele. Já tinha muita coisa dela pra guardar na lembrança, o nome era coisa pouca. Tudo estava guardado, impregnado como o gosto da língua dela na dele.

Era gosto de quero mais, gosto de quem sabia muito bem o que estava fazendo quando se aproximou dele. Aquele gosto era de menina grande que oscilava entre sonho e realidade, mas sabia o que queria, muito bem, obrigada. E naquela noite, ela o quis. Ele a quis. Ela deixou seu gosto na boca dele e ele sabia que muitos caras já tinham sentido o mesmo que ele. Não que importasse agora, mas o pensamento cruzou a mente. Ela se entregara inteiramente pra ele naquela noite. Ao menos foi o que pensara durante alguns minutos depois de tê-la.

Ele, infelizmente, não sabia do fato mais importante sobre a tal moça. Ela não era de ninguém. Era dela própria, às vezes nem isso. E naquele momento, em que a boca dela encostou na dele e seus corpos se encontraram, ele não a possuía. Ela não era nenhum objeto, afinal de contas.

1 de out. de 2014

Libertação

Desde que comecei a escrever textos decentes para o blog (o que foi um dia desses, no caso), eu sinto na pele a dificuldade de ilustrar os meus textos. Sem condições de fazer minhas próprias fotos (com aquela câmera compacta não dava pra fazer muito milagre), restava-me a opção de procurar belas imagens nessa internet de meu deus. E esse trabalho sempre foi mais difícil do que escrever o próprio texto em si.

Uma coisa é fato: você nunca vai encontrar uma foto que represente perfeitamente a grandeza do seu texto. Isso só é possível quando um texto surge a partir de uma imagem, o vice-e-versa é muito mais complicado. Porque todas as expectativas e devaneios que você criou na sua cabeça enquanto organizava seus pensamentos nunca vai ser exatamente igual ao de outra pessoa. A essência pode ser a mesma, a ideia bruta que normalmente vira a foto que vai ilustrar seu texto, mas nunca vai encaixar perfeitamente. A não ser, é claro, que você mesmo comece a pensar o seu texto verbal e imageticamente.

E depois de finalmente conseguir uma câmera decente (que o TCC me exigiu e minha mãe viabilizou) e começar a estudar bem mais, tomei uma decisão na minha vida: agora todas as fotos que ilustrarem meus textos serão de minha autoria e/ou pensadas por mim. Resolvi me livrar das dependências de outras pessoas e começar a planejar as coisas do meu jeito, tentando transmitir minhas ideias e discursos da maneira mais fiel possível.

Sendo assim, eu declaro este como o primeiro post do Inconstante a ser ilustrado por uma imagem minha - e apesar da foto ter sido tirada pela linda da Angel Monteiro, o conceito foi pensado por mim e o modelo sou eu, rs. Pra representar essa mudança, nada melhor do que tentar ilustrar essa liberdade que é se desprender das amarras do oceano infinito de imagens que nunca serão exatamente do jeito que você quer. Se elas não forem, então crie novas que serão.
Foto: Angel Monteiro


16 de set. de 2014

Sobre crises

Nesses últimos dias, entrei numa crise que mistura abstinência e falta de interesse. Explico-me: tentei, por inúmeras vezes, escrever algum texto para esse bendito blog, mas nada vingou ou me agradou no seu resultado final. Comecei a achar meus textos simplesmente sem utilidades e desinteressantes. Não que algum dia essas duas características tivessem sido suas marcas registradas, mas a falta delas nunca me incomodou de fato. Até agora.

Sento minha bunda na cama (porque não tenho uma mesa para trabalhar) e tento desenvolver alguns pensamentos e opiniões que surgem vez ou outra na cachola. Eu tenho bastante coisa pra dizer, mas ultimamente tudo tem me parecido tão inútil e esquecível que eu desisto de escrever na metade.

O que eu queria mesmo era sentir aquela vontade incontrolável que vem lá do fundo do estômago quando a gente está escrevendo alguma coisa tão interessante, mas tão interessante, que não existe a possibilidade dos seus dedos pararem de digitar por dois segundos pra revisar o texto. Revisar eu faço depois, quando terminar de escrever tudo o que me veio à mente. E no máximo a revisão vai servir pra corrigir umas letras intrusas que se enfiaram nas palavras enquanto meus dedos digitavam freneticamente. Porque o calor do momento também contribui e muito pra que um texto se torne interessante.

E interessante é uma característica indispensável pra que um texto exista. Porque o autor, antes de apenas despejar litros de palavras em algum lugar, precisa achar suas próprias palavras interessantes. Não falo só do texto que a gente pensou aqui na cabeça, o que existe antes no mundo das ideias. Depois de ser concretizado de fato, ele precisa continuar interessante. E não tem que ser só pro Fulano que vai ler. Antes de qualquer coisa, o próprio autor precisa sentir uma vontade, daqui a uns três dias ou uns quatro meses, de abrir o blog e lê-lo de novo, talvez sentir um pouquinho de orgulho por ter escrito algo que considere relevantemente interessante. E compartilhar de novo no Facebook, de tão bom que ele parece.

Mas infelizmente, no final das contas, eu só tenho sentido fome e sono.

Encontrei aqui.

19 de mai. de 2014

Agora, triste

Ligo o computador. A playlist já tá pronta, só preciso dar o play. Não vou ouvir baterias barulhentas, palminhas, sintetizadores ou gritos. Vai ser calmaria. Quero continuar deitado na minha cama, encarando o teto branco e sem graça, me sentindo simplesmente triste.

Não quero minha comida preferida, não quero aquela música que me faz dançar, não quero a lembrança dos bons momentos que eu vivi, não quero os meus amigos que me fazem minha barriga doer de tanto rir, não quero pensar, não quero brincar, não quero ser feliz. Não agora.

Quero ficar parado, ali, sem saber exatamente o motivo de querer tanta tristeza. Só sei que quero continuar ouvindo aquela melodia triste, cantada por uma voz triste, que sente a mesma coisa que eu.

Acho que o dia foi cheio, nem tudo deu certo, eu fiz alguma besteira enorme e eu sei que faz parte da vida e não tô reclamando disso, eu juro. Só que deu vontade de aproveitar a tristeza que eu tô sentindo. Sei que ela vai me fazer bem, mesmo que não seja agora.

Encontrei aqui.

5 de mai. de 2014

Um mo(vi)mento

É incrível como a coisa flui, pelo menos pra mim. Basta um movimento interessante de alguém na rua, um estranho que eu nunca vi mais gordo, mas que levantou o braço de um jeito tão... tão... sei nem descrever. E aquele movimento aparentemente simples fica gravado na minha memória, rodando no repeat, até eu escutar aquela música que eu sempre quis coreografar. E tem aquela parte muito bonita da letra que diz que o amor é complicado, mas isso pouco importa no final das contas. Ficaria tão bonito aquele movimento de braço na hora que o cantor canta isso, quando a guitarra chora. E aí já era. Me vem outro movimento, vou experimentando aleatoriamente, essa música é tão bonita, a perna levanta nessa hora, and it's never enough, love is never enough without you, e a música acaba.

A coisa nem sempre fica perfeitamente bonita, mas dá pra ir aperfeiçoando com o tempo. Queria mesmo era encontrar aquele estranho na rua e dizer obrigado. Ou quem sabe mostrar pra ele como ficou a coreografia, ou só dar um abraço, sei lá.

Photo: Renan Mendes | Modelo: Filipe Lobato

27 de abr. de 2014

Acúmulo

Sentei na frente do computador sem esperar muita coisa. Afinal, fazia muito tempo, nem me lembro desde quando, que aquela velha conhecida vontade de transformar tudo em palavra havia morrido. Foi de repente, assim como acontece com muita gente. Um dia tá tudo bem, melhor impossível, e quando vai ver, acaba, ponto final.

Não teve choro, não teve velório. Sempre achei que sem tanto drama fica mais fácil de aceitar qualquer perda, então eu não dramatizo e paro de pensar tanto no assunto. Um amigo meu vive me dizendo que meu coração deve estar cheio de lágrimas não choradas, de dores não colocadas pra fora e ele tem certeza que um dia eu vou transbordar e tudo vai vazar de uma só vez, inundando tudo. Não sei se eu acredito nele, mas o fato é que em todos esses anos nunca ouve nenhum prenúncio ou aviso divino de que meu dilúvio estivesse prestes a acontecer. Então eu continuo evitando o drama, assim como eu fiz quando minha vontade de escrever morreu.

O fato é que naquele dia alguma coisa parecia diferente. É bem clichê dizer isso, mas eu sentia que alguma coisa tinha mudado. O quê? Eu não fazia a menor ideia. Foi por isso que eu revisitei todas as minhas perdas pra ver se a mudança tinha alguma coisa a ver com elas.

Comecei com o violão, que meu pai me deu de aniversário aos 12 anos e que foi abandonado três meses depois. Eu até tocava bem, mas depois enjoei. Mas a vontade podia ter voltado, não é? Peguei o violão, dei uma limpada no bicho que tava mais empoeirado que meus CDs na estante da sala e dedilhei as cordas. Foi um sentimento estranho e ruim. Sei lá, eu me sentia errado segurando aquele instrumento. Eu não me lembrava de muitos acordes, então não pude fazer muita coisa a não ser colocá-lo de volta no canto do quarto.

Então sentei no computador, como já disse. Abri uma página em branco pra ver o que acontecia e aconteceu. Começou com a letra 'a' e depois uma palavra, uma frase, um parágrafo. Eu transbordei. Meu dilúvio finalmente aconteceu e as minhas palavras eram gotas da chuva e o som dos meus dedos tocando freneticamente várias letras no teclado preto era o trovão.

Só que depois de um tempo, parecia que minhas mãos não eram rápidas o suficiente pra acompanhar toda a tempestade que acontecia dentro de mim, toda a euforia e tristeza misturadas com o alívio que percorria o meu corpo inteiro. Foi aí que comecei a transbordar pelos olhos, sentindo o dilúvio esquentando meu rosto, borrando minha visão e não me deixando mais ler o que eu escrevia na tela. Mas isso pouco importava. Eu sentia o que eu queria escrever e era muito mais forte do que qualquer palavra que eu digitasse no teclado. E eu continuei sentindo até que eu me vi fraco demais pra conseguir sobreviver ao meu próprio dilúvio.

Teve choro, teve velório.
Photo: weheartit

25 de fev. de 2014

Natural demais

Era mais um dia normal como sempre, muito obrigado, até eu ler uma matéria sobre o caso Madeleine McCann, que vai completar seis anos em maio. A menina desapareceu em 2007, do quarto de um hotel português onde a família estava hospedada passando férias. Eu tinha me esquecido desse caso, confesso. Mas depois de ler o texto, minha cabeça fervilhou tanto que só me restou escrever.

Eu não consigo imaginar a angústia dos pais da menina quando descobriram que a filha havia desaparecido. E mais difícil ainda é imaginar como esses pais conseguiram viver esses quase 6 anos sem notícia alguma, sem saber se ela está bem ou se está viva. Eles estão esse tempo todo no escuro e eu não consigo deixar de pensar em como deve ser horrível viver um pesadelo que não termina quando eles acordam toda manhã. Será que você conseguiria?

Eu não consigo entender os motivos que levam algumas pessoas a cometerem atrocidades como essas - ou piores. Apesar de não entender, hoje em dia eu já não duvido do nível de crueldade das pessoas. É cada notícia absurdamente cruel que se lê nos jornais que depois de um tempo pouca coisa começa a te surpreender. Infelizmente. 

Dia desses eu tava no ônibus e um casal vinha conversando no banco da frente. Mesmo com fones no ouvido, não pude deixar de ouvir o garoto quase gritando pra todo mundo ouvir sobre as quatro pessoas que foram mortas na semana passada na rua onde morava. Inclusive ele achava até estranho que já era quinta-feira e ninguém mais tinha morrido por lá. Virou rotina.

Eu me assusto com essa "naturalidade" que eu noto muitas vezes nas vozes das pessoas (e na minha também) ao falar dessa violência, que estampa diariamente as capas dos jornais - e todo dia de manhã, num ponto de venda de jornais, você encontra uma rodinha de pessoas dando uma olhada nas principais notícias do dia pra ver quanto sangue foi derramado ontem. E o que não falta é sangue nos jornais. Tem sangue demais, segurança de menos, mas a gente já se acostumou com isso, não é mesmo? Não é?

Photo: weheartit

16 de fev. de 2014

Things will change if...

Achei aqui, ó: http://amortizing.tumblr.com/
Calma, calma. Não precisa de tudo isso. Eu sei que tá tudo uma merda e provavelmente as coisas vão continuar assim por um tempo. Mas é só por um tempo. Depois passa, as coisas mudam. Lembra da última vez? Foi exatamente assim como eu tô te falando. Confia em mim.

Pode ser que os teus problemas não se resolvam completamente. Mas depois de um tempo a gente aprende a lidar com eles. Uma hora a gente cresce e ao menos aprende um jeito de não deixar toda essa merda atrapalhar o resto da vida. Vai por mim, isso já aconteceu comigo e foi exatamente assim.

Então deixa de tanta neura e começa a pensar direito, começa a procurar soluções e o melhor jeito de resolver as coisas. Porque tudo bem sentar e chorar no começo, mas depois é preciso parar de mimimi e fazer alguma coisa. Senão é bem capaz de tudo continuar do jeito que tá e não vais poder culpar ninguém além de ti mesmo.

1 de fev. de 2014

Por enquanto

Nem sei mais se eu quero conversar sobre isso, sabe? Não faz muito tempo, mas, sei lá, parece tão... tão desnecessário agora, não é? Quer dizer, parece desnecessário pra mim, então por que diabos eu vou me dar ao trabalho de remexer nessa situação desagradável pra tentar resolver uma coisa que agora tanto faz? Sei lá, se um dia a gente resolver tentar alguma coisa de novo, quem sabe, talvez a gente senta e conversa sobre o que aconteceu. Não parece perda de tempo? Pois então, vamo deixar pra lá, a gente tem que se preocupar com tanta coisa diariamente que é quase um alívio não adicionar mais uma preocupação a essa lista. É só seguir em frente, a vida continua, let it be. Pelo menos sobre isso, por enquanto.

Encontrei nesse tumblr.

18 de jan. de 2014

What are you afraid of?

Encontrei aqui.
Então, senta aí, fala pra mim. Do que você tem medo? Aranhas, baratas, cobras, leões? Talvez eu tenha medo de leões porque eles são maiores do que eu, mas não saio correndo toda vez que vejo uma barata ou uma aranha subindo pela parede. Mas cada um tem seu medo, né? Quem sou eu pra julgar? 

Um amigo meu disse que tinha medo de ficar sozinho pelo resto da vida. E ele não é o primeiro a me dizer isso. Ontem mesmo eu li um texto da Martha Medeiros falando sobre esse mesmo medo. Minha tia me disse uma vez que, quando pequena, morria de medo do escuro e que até hoje ela se sente incomodada de dormir com as luzes apagadas, dorme no claro.

Eu, por exemplo, tenho medo de altura. Mas não é bem isso, na verdade. Eu tenho medo de uma altura insegura, sabe? No 30º andar de um prédio, olhando a cidade pela janela, tá tudo bem, eu sei que não vou me jogar dali e dificilmente vou cair. Mas subir numa simples árvore não é uma sensação muito legal, nem em um muro, quem dirá uma escada velha. E nem é tão alto quanto o 30º andar, mas é que é bem mais difícil o prédio cair ou eu me jogar dali do que a escada quebrar ou eu escorregar da árvore, não acha?

Você tem medo da morte? Conheço muita gente que morre de medo de morrer. Eu já pensei muitas vezes sobre esse assunto e cheguei à conclusão de que não tenho medo de morrer, só me preocupo se vai doer muito, sabe? Não bato cabeça pensando em tudo o que vou deixar pra trás e o que eu não vou poder viver, até porque eu não vou lembrar nada disso, afinal eu vou estar morto mesmo.

Mas esses são os meus medos, minhas neuras. Você ficou calado o tempo todo. Então me conta, você tem medo de quê?

6 de jan. de 2014

Velhice

Photo: weheartit
No fone de ouvido, um rock antigo, tão antigo que ele nem se lembrava de quando era. Talvez estivesse tão velho quanto aquela canção, porque havia começado a esquecer de coisas bestas, como o dia da semana, a hora de tomar remédio, a conta que venceu ontem. Mas ele não se importava com isso. Inclusive esperava ansioso o dia em que começaria a esquecer de coisas desagradavelmente importantes. Não via a hora de usar a velhice como desculpa por não ter ido àquela reunião de negócios chata com gente chata falando de um assunto chato que ele teve que aturar todos os dias da sua vida por quase 20 anos. Ele sabia que aquela profissão fora sua escolha, mas não era bem que isso que ele realmente gostava. Mas como isso não o levaria a outra coisa que ele também gostava muito - dinheiro - optou então por seguir um caminho fácil porém chato que era aquela rotina de todo santo dia, todo dia santo e você sabe o resto.

Passa tempo, idade aumenta, velhice chega, as pessoas começam a esquecer das coisas e ele se esqueceu do que realmente gostava. Agora só restava esquecer o que ele não gostava e então ele poderia finalmente não lembrar mais nada.

14 de dez. de 2013

Maria

Please be honest, Mary Jane: are you happy?
Don't censor your tears.

E então, Maria? Me diz a verdade, por favor. Eu posso tá te pedindo isso agora, mas eu juro que é pensando em ti. Eu te peço: seja sincera contigo mesma, mulher. Porque não adianta andar por aí sorrindo mais do que todo mundo a tua volta quando por dentro tá tudo uma bagunça, aquela mesma que nunca tiveste coragem de arrumar. Por que ser assim? Não precisa atuar o tempo todo. Isso não te cansa, não? Porque eu já taria cansado há um tempão e teria mandado todo mundo pro inferno. E teria chorado depois. Não, chorar não é coisa feia, tira essa ideia da cabeça. Chorar faz bem, muitas vezes, pra fazer doer menos essa vida meio porra-louca que a gente vive todo dia. E eu acho que além da sinceridade, acho que precisas chorar. Mas chorar mesmo, daquele jeito que os olhos ficam vermelhos e você soluça tanto que parece que não vai mais conseguir respirar. Mas aí você consegue respirar porque o choro uma hora termina - seja porque você já chorou tudo o que tinha pra botar pra fora ou só porque você não tem mais forças pra chorar. E depois de chorar, depois de aceitar tudo, as coisas ficam melhores, a gente consegue pensar com clareza e ter pulso firme pra mudar essa vida. Bom, pelo menos foi assim comigo. Eu espero que as coisas sejam assim pra ti também, se possível mais fácil, porque eu sei que uma hora tu cedes, tu pedes arrego de todo esse peso que vens carregando no teu coração. Vai por mim, Maria: quanto mais cedo tu fores honesta contigo e com teus sentimentos, melhor pra ti e pra todas as pessoas que te amam.


6 de dez. de 2013

Contradição

Abri um documento e fiquei olhando para tela do notebook, esperando alguma coisa acontecer: uma ideia surgir, algo sobre o que escrever ou quem sabe o sono chegar. Uma ideia surgiu, vaga e corriqueira, algo sobre o qual eu já tinha escrito, mas dessa vez sob um novo ponto de vista. É sempre bom analisar algo de todos os ângulos possíveis, tirar a conclusão depois de ter certeza de ter verificado tudo, diminuindo a probabilidade de se falar besteira ou julgar precipitadamente.

Então comecei a escrever algumas palavras, uma frase, três períodos e o primeiro parágrafo estava concluído. Foi quando eu percebi que já não sabia mais o que escrever. Tudo bem, já escrevi textos curtos antes, inclusive alguns com duas linhas apenas (você chama isso de texto?). O problema é que aquele texto me parecia incompleto.

Inexplicavelmente faltava alguma coisa. E essa sensação incomodava. Como se não bastasse, ainda tinha a certeza de que não havia mais nada que eu pudesse acrescentar àquilo. Contradição da vida que até hoje eu não consigo entender. E eu tentei bastante, mas chega uma hora em que não se pode mais, que existem outras coisas para se preocupar e a gente substitui as velhas preocupações pelas novas mais urgentes, ou apenas mais intrigantes. Acontece.


Alguns dizem que isso nos ajuda a crescer. Talvez seja mesmo, como forma de aprender que nem tudo possui resposta, que algumas coisas simplesmente são e pronto. Quem sabe? Só sei que a contradição continuou, a sensação de falta também e o sono finalmente chegou. Achei melhor me entregar às necessidades do corpo e descansar a mente. Quem sabe a resposta não me viria nos sonhos? As coisas são tão estranhas que eu não duvido nada que isso seja possível.

Photo: weheartit

24 de nov. de 2013

O lado bom

Photo: Renan Mendes
Tenho alguns arranhões no rosto, uns machucados nas pernas e dores pelo corpo todo. Quebrei a cara. Foi horrível, como sempre é toda vez que as coisas não saem do jeito que imaginamos, quando as pessoas não se importam com os nossos sentimentos, quando todo mundo espera o impossível de você e tudo o que você quer é paz pra fazer as coisas do seu jeito, sem pressão. O mundo nunca foi e nunca vai ser perfeito, do jeito que – pelo menos nós achamos que – deveria ser. Foi desde quando eu realmente percebi isso que eu tomei a decisão de sempre procurar o lado bom das coisas que acontecem comigo. Graças aos céus, a maioria delas só possui o lado bom, mas ainda existe a minoria. Nessa outra parte, as pessoas são maldosas e não se importam em me machucar; nessa parte eu crio expectativas com projetos que não dão certo, que fracassam, que me frustram; é nessa parte que algumas coisas que eu tinha certeza que durariam pra sempre terminam por besteiras; é aí que eu fico perdido me perguntando se eu tô fazendo a coisa certa com a minha vida, se eu tô fazendo as coisas certas para as pessoas, se eu tô sendo bom o suficiente com pessoas que são boas o suficiente comigo. E a lista não terminaria, porque essas coisas acontecem com todo mundo e não seria diferente comigo. Mas eu posso lidar de maneira diferente com essa outra parte da vida. Eu posso aceitar que algumas coisas fogem do meu controle, que não poderiam ser diferentes e eu tento buscar o que essas coisas podem me ensinar. Foi horrível ver aquele projeto não dar certo? Foi, sim. Mas ele não deu certo porque tinha muita gente envolvida que não se envolveu de verdade. Da próxima vez, vou selecionar melhor e quem sabe trabalhar de outro jeito pra que as coisas possam ter mais chances de dar certo. Não fui bem numa prova importante? Ok, agora já foi. Mas eu posso estudar e me esforçar mais pra que isso não aconteça de novo. Pessoas que eram próximas de mim não estão mais na minha vida? Vou procurar os motivos pra isso ter acontecido. Se der pra consertar, ótimo. Caso não dê, vou tentar ao máximo não cometer os mesmos erros outra vez. E assim eu resolvi levar a vida, pra que as coisas ruins que ela traz não se tornem maiores que as coisas boas que eu vivo todo dia.


20 de nov. de 2013

Antes de entrar no palco

A todas as pessoas que dançam comigo, 
seja dentro ou fora do palco. 

Começa um dia antes. O aviso no celular te lembra que já é amanhã, o professor dá as últimas dicas durante a aula e aí o sentimento vai ficando cada vez mais forte. O dia chega e eu já acordo naquela expectativa boa, empolgante, contagiante. Tem outros assuntos pra resolver antes do momento acontecer? O sentimento não vai embora, continua lá. Por mais que eu me distraia por algum tempo, nunca parece que é tempo suficiente pra esquecer aquele formigamento no fundo do estômago – claro, um formigamento bom, não gastrite (ainda).

E o tempo vai passando, a hora vai chegando e eu fico relembrando tudo o que eu tenho que fazer na hora. O que eu preciso tá comigo? Não esqueci nada? Ah, então tudo certo, é só chegar e fazer o meu melhor. Quer dizer, fazer o meu melhor e esperar que os outros também façam os seus. Porque eu não tô sozinho nessa. Felizmente. Fica mais fácil e divertido dividir essa ansiedade pré-apresentação. Como será que o público vai reagir? Será que eles vão prestar atenção nessa parte, que foi pensada exatamente pra que eles fiquem impressionados? Eles vão ficar impressionados? Eles vão gostar? A gente vai gostar? Um milhão de coisas na cabeça antes de entrar no palco. E às vezes tudo o que você consegue fazer é rir feito bobo. Rir de você mesmo, do outro, com o outro.

Uma espiadinha pela coxia (quando ela existe, claro) pra ver a plateia: quem são os rostos pra quem eu vou dançar dessa vez? Sim, alguns já são familiares, que reconfortante! Mas tem gente nova, sempre tem. Ainda bem. Novidade pra eles que vão ver a coreografia pela primeira vez e novidade pra nós, que vamos ter que fazer com que esse público novato sinta tudo o que a gente sentiu durante a construção do número. E esse calor no corpo não existe só porque é preciso se aquecer antes de entrar no palco. Ele já tá lá desde o momento em que a gente sabe que vai fazer uma das coisas que mais gosta de fazer na vida: dançar.

Photo: Túlio Veríssimo

10 de nov. de 2013

O acaso da criação

Photo: Tá no Mutável, mas quem dera fosse minha.
Acho incrível o motivo de alguns textos nascerem. Pelo menos comigo, a maioria deles nasce do acaso. Não é que eu nunca parei pra pensar sobre os fins dos meus relacionamentos ou sobre a saudade de que eu sinto das pessoas ou ainda sobre como cada uma delas desperta algo diferente em mim. A questão é que, desde quando eu comecei a escrever, eu passei a pensar nos temas do meu texto meio que sem querer. Foi um olhar de alguém na rua que me lembrou de uma pessoa que um dia foi muito importante pra mim. Foi uma frase dita por um estranho no ônibus que me fez pensar o quanto gastamos tempo e energia reclamando de tudo e de todos e fazendo pouco pra mudar o que nos incomoda. Foi uma imagem, uma música, um gesto que me fez lembrar aquele meu antigo caso ou que me fez passar horas imaginando a história de uma pessoa e, a partir dela, criar minhas próprias histórias. Eu acho no mínimo curioso o jeito como esses meus textos surgem. Não sei se acontece com todo mundo ou esse é meu jeito de escrever, só sei que acontece assim. Só espero que o acaso se faça presente por muito tempo na minha vida. Ele tem me feito um bem danado, literariamente falando.

7 de out. de 2013

Não sei o que seria de mim sem ele

Eu tô um lixo. Hoje é mais um daqueles dias ruins, onde parece que tudo precisa, tem que dar errado. E tá dando. E eu só quero, mais que tudo, voltar pra casa. Eu não preciso resolver meus problemas, consertar meus erros, melhorar o que tá ruim. Eu preciso do aconchego dele; porque é ele que me faz ver o quanto as coisas estão nos lugares certos. Não há erro. Pelo menos não quando eu me deito no peito dele. E é disso que eu preciso.

Nada importa quando eu estou com ele. Meu porto-seguro, minha certeza de calmaria em meio às tempestades diárias - mesmo quando as tempestades começam dentro de casa. Não importa motivo. Só importa que, no final das contas, eu posso olhar nos olhos dele, sem precisar dizer uma única palavra, sem emitir um único som, e ele sabe, como sempre soube, que eu preciso dele. Então ele coloca aquela música, aquela que sempre me ajuda a esquecer que o mundo é um lugar ruim, aquela que me faz lembrar que não existe mundo ruim com ele do lado, aquela que me faz lembrar que, sem ele, não existia felicidade.

Prova de que Deus existe é chegar em casa e ele estar disposto a esquecer a própria tempestade pra ajudar a arrumar a minha bagunça interna. Ele é o melhor faxineiro que existe porque me conhece há muito tempo e sabe onde as sujeiras normalmente se acumulam. Ele vai onde ninguém mais consegue ir e limpa os móveis sujos de poeira, o chão cheio de terra e lama, reorganiza os porta-retratos espalhados pela sala. E eu faço questão de pagar a diária, um salário mínimo, o pouco que eu posso fazer em troca. E quando seria suficiente? Ele nunca me disse. Sempre parece satisfeito com o que eu dou em retribuição. É sempre tão pouco, mas ele nunca achou isso - pelo menos nunca me disse. Só sei que eu usufruo dos serviços dele sempre que necessário. Ainda bem que ele sempre esteve lá. Não sei o que seria de mim sem ele. Só Deus sabe.
Foto encontrada no Melody of Life

30 de set. de 2013

Só você não viu

Photo: Random Bullshit Memories
Acho que vou seguir a carreira de atriz. Devo ser muito boa em atuar, porque só isso explica você não ter percebido o quanto eu andava infeliz. Só pode! Me diz você: em nenhum momento passou pela sua cabeça, você não conseguiu percebeu, nem de relance, que alguma coisa tava errada comigo? Caramba! Tô impressionada. Até o André, que faz a limpeza lá do jornal, veio me perguntar ontem se tava tudo bem. Até o André! E você? O que você fez? Nada.

E eu tava lutando com todas as minhas forças para tomar a decisão certa, em fazer as coisas funcionarem dessa vez. E você não percebeu. E não vem me dizer que eu não tentei te falar! Eu não sou uma daquelas tuas ex-mulheres que ficam de mimimi esperando que você adivinhe cada pensamento que surge na cabeça delas. Eu nunca fui assim e você sabe muito bem disso. Todas as vezes que eu tentava conversar com você, eu recebia uma desculpa, um fora. Por que você tava me evitando? O que você fez de errado, hein? Olha pra mim, Pedro! Ah, não importa, não quero mais saber. Já tenho informação demais pra processar na minha cabeça sem as suas. O que eu queria mesmo era conversar com você, quem sabe conseguir uma luz, um conselho sábio, uma palavra de conforto, ou mesmo um colo pra chorar. Mas eu não consegui nem a sua atenção. Só consegui mais dúvidas e mais preocupações com você.

É, eu cansei, Pedro. E me parece que você tá cansado de mim também. Tá vendo? Você nem ao menos me contrariou. Tudo bem, não me importo com o seu silêncio, já me acostumei. Só quero te pedir uma coisa: se você realmente não quiser me ajudar ou se você não tiver como me ajudar a manter o que a gente tem, por favor, não atrapalha mais a minha vida. Ela já tá bagunçada demais sem a sua ajuda.

Caso você decidir ficar, tem pizza lá embaixo. Se não, você pode levar as malas que estão no armário. Não vou precisar delas por algum tempo.

31 de ago. de 2013

Brave

Photo: Vacants
I'm leaving today. I packed all my things and all the memories that still remain in my mind. I don't have much, but it's still something I can call mine. That's all that's left. After a long year, I'm finally being brave enough to change my reality. Heaven knows how hard it's been, since from the start. But I'm stubborn, I've always been. "I can try it once more, it's ok." "The second chance didn't work? Well, the third might." And then, the third didn't and the fourth didn't too, of course. I feel really pathetic right now. But I'm also feeling free. It kind of balances everything at the end of the day, you know? The wrong decisions, the yes when I was supposed to say no. Actually, just a few things bother me now that I'm really doing something to change my present. Now my focus is on what I'm gonna do to make things right this time. I've learnt my lesson and it took two years for me realize it – and that’s something I never ever wanna live again. I don't wanna waste more time. I wanna try new things, new places, new faces, new voices, new hearts, new bodies, new people - I wanna start over.

This for sure is one of the biggest things I've ever done in my life. Of course it scares me, but it's also exciting. And I'm holding on to the excitement, I don't wanna be scared. Not anymore.


So thank you for everything, even the bad memories, the hurt, the pain, the tears, the fears, the dark. Thanks for opening my eyes - I know it took too long, but I finally did. Thanks to you. So try to find happiness in life, cause that's what I'm looking for now. I really hope you find it, cause I'm really hopping I can find it too. I guess we deserve some of it for now.

*****

Quase-tradução

Estou indo embora hoje. Embalei todas as minhas coisas e todas as memórias que ainda restam na minha cabeça. Eu não tenho muito, mas ainda é algo que posso chamar de meu. É tudo o que sobrou. Depois de um longo ano, eu finalmente estou sendo corajoso o suficiente pra mudar minha realidade. Deus sabe o quanto tem sido difícil, desde o começo. Mas eu sou teimoso, eu sempre fui. “Eu posso tentar mais uma vez, tudo bem.” “A segunda chance não deu certo? Bom, talvez a terceira dê.” E então, a terceira não funcionava e a quarta também não, é claro. Eu me sinto um idiota agora. Mas ao mesmo tempo eu me sinto livre. Meio que isso equilibra tudo no fim do dia, sabe? As decisões erradas, o sim quando eu deveria dizer não etc. Na verdade, poucas coisas me incomodam agora que eu tô fazendo alguma coisa pra mudar o meu presente. Agora o meu foco está em como eu vou fazer as coisas darem certo dessa vez. Eu aprendi a minha lição e levou dois anos pra eu percebi isso – algo que eu nunca mais quero viver de novo. Não quero perder mais tempo. Eu quero tentar coisas novas, lugares novos, rostos, vozes, corações, corpos, pessoas novas – quero recomeçar.

Com certeza essa é uma das maiores coisas que eu já fiz na minha vida. Claro que isso me assusta, mas é também excitante. E eu tô abraçando a empolgação, eu não quero ter medo. Não mais.

Então, valeu por tudo, mesmo as memórias ruins, o machucado, a dor, as lágrimas, os medos, a escuridão. Obrigado por abrir meus olhos – sei que levou muito tempo, mas eles finalmente estão abertos.  Obrigado você. Então tenta encontrar felicidade na vida, porque isso é o que eu tô procurando agora. Eu realmente espero que você encontre, porque eu realmente tô esperando encontrar a mesma coisa. Acho que a gente merece isso por enquanto, né?