10 de set de 2011

Dias de chuva

Eu sinto falta do que nunca tive. E dói. Parece - é exatamente como me sinto - que sou metade com inteira dor, vagando por esse mundo em busca de complemento. E continuo vagando, há bastante tempo já... E de vez em quando minhas pernas cansam, como as pernas de qualquer ser humano que percorre grandes distâncias. A água que eu bebo, vez ou outra, já não mata minha sede e pouco me hidrata. Então às vezes paro embaixo de alguma árvore, pra descansar, pra recuperar forças.

É incrível como toda a vez que eu paro minha andança, começa a chover, quase de imediato - chuva que cai e molha meu rosto, meu corpo. Eu não me importo nem um pouco em me molhar, porque sinto que a água que depois escorre leva junto todas as impurezas e mágoas e fraquezas que vão se acumulando ao longo do caminho.

Mas tem um problema: quando já não preciso mais de chuva, quando me sinto limpo, ela não para. Insistente, ela tem certeza de que tem que cair. O pior é quando chove mais forte no lado de dentro (e é aí que eu não tenho o controle sobre a água que cai). Então preciso de ajuda, preciso de um sol, pra me aquecer e me fazer levantar. Só que ele nem sempre aparece quando se precisa, mas eu meio que já me acostumei a esperar o dia seguinte pra poder recebê-lo - na maioria das vezes ele vem exatamente como um abraço (perfeito).

Aquele sol que faz as gotas de chuva, que ainda estão caindo lá dentro, evaporarem. Aquele sol  que me faz levantar e que sei que vai estar me esperando em algum lugar, logo depois de um dia de chuva.

Um comentário:

Gustavo Ferreira disse...

"Mas só chove, chove..." (8)