20 de nov de 2013

Antes de entrar no palco

A todas as pessoas que dançam comigo, 
seja dentro ou fora do palco. 

Começa um dia antes. O aviso no celular te lembra que já é amanhã, o professor dá as últimas dicas durante a aula e aí o sentimento vai ficando cada vez mais forte. O dia chega e eu já acordo naquela expectativa boa, empolgante, contagiante. Tem outros assuntos pra resolver antes do momento acontecer? O sentimento não vai embora, continua lá. Por mais que eu me distraia por algum tempo, nunca parece que é tempo suficiente pra esquecer aquele formigamento no fundo do estômago – claro, um formigamento bom, não gastrite (ainda).

E o tempo vai passando, a hora vai chegando e eu fico relembrando tudo o que eu tenho que fazer na hora. O que eu preciso tá comigo? Não esqueci nada? Ah, então tudo certo, é só chegar e fazer o meu melhor. Quer dizer, fazer o meu melhor e esperar que os outros também façam os seus. Porque eu não tô sozinho nessa. Felizmente. Fica mais fácil e divertido dividir essa ansiedade pré-apresentação. Como será que o público vai reagir? Será que eles vão prestar atenção nessa parte, que foi pensada exatamente pra que eles fiquem impressionados? Eles vão ficar impressionados? Eles vão gostar? A gente vai gostar? Um milhão de coisas na cabeça antes de entrar no palco. E às vezes tudo o que você consegue fazer é rir feito bobo. Rir de você mesmo, do outro, com o outro.

Uma espiadinha pela coxia (quando ela existe, claro) pra ver a plateia: quem são os rostos pra quem eu vou dançar dessa vez? Sim, alguns já são familiares, que reconfortante! Mas tem gente nova, sempre tem. Ainda bem. Novidade pra eles que vão ver a coreografia pela primeira vez e novidade pra nós, que vamos ter que fazer com que esse público novato sinta tudo o que a gente sentiu durante a construção do número. E esse calor no corpo não existe só porque é preciso se aquecer antes de entrar no palco. Ele já tá lá desde o momento em que a gente sabe que vai fazer uma das coisas que mais gosta de fazer na vida: dançar.

Photo: Túlio Veríssimo

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