8 de ago de 2012

De criança

Photo: weheartit

Pronto. Depois de um tempo procurando lençóis e objetos para prendê-los, seu novo mundo estava pronto. Não era exatamente do jeito que estava na sua cabeça, mas bastava um pouquinho de imaginação e tudo ao redor transformava-se em qualquer outra coisa. Afinal de contas, aquele era o mundo dele.

O forte estava pronto, mas o trabalho não havia terminado. Logo as tropas inimigas atacariam e ele precisava estar pronto, o forte precisava estar seguro. Com o seu exército de gigantes bichos de pelúcia, carrinhos de bombeiros que disparavam balas de canhão e paredes de lençóis mais resistentes que titânio, ele precisava de uma estratégia de ataque. 

Resolveu montar armadilhas pelo vasto campo verde à frente do forte. Elas atrasariam os inimigos e talvez eliminassem boa parte deles. Pegou vários brinquedos pequenos que sua tia Hilda havia lhe dado de natal e os espalhou pelo quarto, correndo de volta pra dentro do forte quando todas as armadilhas estavam prontas. Agora era esperar. Não demoraria muito, eles logo atacariam.

Então, ao longe, ouviu o grito do chefe deles: “Hora do jantar, Paulinho!”. Nessa hora, ele soube que a guerra estava perdida. O chefe deles era forte demais e tinha em mãos o que era seu ponto fraco: purê de batata. Então ele saiu de dentro do forte, jogou a espada em cima da cama e desceu pra cozinha. Ao atravessar o quarto, pisou em uma das armadilhas que ele mesmo havia plantado. Sentiu uma dor no pé e pensou que pelo menos agora sabia que elas realmente funcionavam. 

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