7 de out de 2013

Não sei o que seria de mim sem ele

Eu tô um lixo. Hoje é mais um daqueles dias ruins, onde parece que tudo precisa, tem que dar errado. E tá dando. E eu só quero, mais que tudo, voltar pra casa. Eu não preciso resolver meus problemas, consertar meus erros, melhorar o que tá ruim. Eu preciso do aconchego dele; porque é ele que me faz ver o quanto as coisas estão nos lugares certos. Não há erro. Pelo menos não quando eu me deito no peito dele. E é disso que eu preciso.

Nada importa quando eu estou com ele. Meu porto-seguro, minha certeza de calmaria em meio às tempestades diárias - mesmo quando as tempestades começam dentro de casa. Não importa motivo. Só importa que, no final das contas, eu posso olhar nos olhos dele, sem precisar dizer uma única palavra, sem emitir um único som, e ele sabe, como sempre soube, que eu preciso dele. Então ele coloca aquela música, aquela que sempre me ajuda a esquecer que o mundo é um lugar ruim, aquela que me faz lembrar que não existe mundo ruim com ele do lado, aquela que me faz lembrar que, sem ele, não existia felicidade.

Prova de que Deus existe é chegar em casa e ele estar disposto a esquecer a própria tempestade pra ajudar a arrumar a minha bagunça interna. Ele é o melhor faxineiro que existe porque me conhece há muito tempo e sabe onde as sujeiras normalmente se acumulam. Ele vai onde ninguém mais consegue ir e limpa os móveis sujos de poeira, o chão cheio de terra e lama, reorganiza os porta-retratos espalhados pela sala. E eu faço questão de pagar a diária, um salário mínimo, o pouco que eu posso fazer em troca. E quando seria suficiente? Ele nunca me disse. Sempre parece satisfeito com o que eu dou em retribuição. É sempre tão pouco, mas ele nunca achou isso - pelo menos nunca me disse. Só sei que eu usufruo dos serviços dele sempre que necessário. Ainda bem que ele sempre esteve lá. Não sei o que seria de mim sem ele. Só Deus sabe.
Foto encontrada no Melody of Life

2 comentários:

Bruno Eleres disse...

Apenas uma coisa: tu precisas mostrar todas tuas crônicas e textos num livro qualquer dia desses, simplesmente porque mais pessoas PRECISAM ler o que escreves.

Amanda Campelo disse...

"Só importa que, no final das contas, eu posso olhar nos olhos dele, sem precisar dizer uma única palavra, sem emitir um único som, e ele sabe, como sempre soube, que eu preciso dele." Quando as palavras somem, é porque achamos nosso lugar.