16 de set de 2014

Sobre crises

Nesses últimos dias, entrei numa crise que mistura abstinência e falta de interesse. Explico-me: tentei, por inúmeras vezes, escrever algum texto para esse bendito blog, mas nada vingou ou me agradou no seu resultado final. Comecei a achar meus textos simplesmente sem utilidades e desinteressantes. Não que algum dia essas duas características tivessem sido suas marcas registradas, mas a falta delas nunca me incomodou de fato. Até agora.

Sento minha bunda na cama (porque não tenho uma mesa para trabalhar) e tento desenvolver alguns pensamentos e opiniões que surgem vez ou outra na cachola. Eu tenho bastante coisa pra dizer, mas ultimamente tudo tem me parecido tão inútil e esquecível que eu desisto de escrever na metade.

O que eu queria mesmo era sentir aquela vontade incontrolável que vem lá do fundo do estômago quando a gente está escrevendo alguma coisa tão interessante, mas tão interessante, que não existe a possibilidade dos seus dedos pararem de digitar por dois segundos pra revisar o texto. Revisar eu faço depois, quando terminar de escrever tudo o que me veio à mente. E no máximo a revisão vai servir pra corrigir umas letras intrusas que se enfiaram nas palavras enquanto meus dedos digitavam freneticamente. Porque o calor do momento também contribui e muito pra que um texto se torne interessante.

E interessante é uma característica indispensável pra que um texto exista. Porque o autor, antes de apenas despejar litros de palavras em algum lugar, precisa achar suas próprias palavras interessantes. Não falo só do texto que a gente pensou aqui na cabeça, o que existe antes no mundo das ideias. Depois de ser concretizado de fato, ele precisa continuar interessante. E não tem que ser só pro Fulano que vai ler. Antes de qualquer coisa, o próprio autor precisa sentir uma vontade, daqui a uns três dias ou uns quatro meses, de abrir o blog e lê-lo de novo, talvez sentir um pouquinho de orgulho por ter escrito algo que considere relevantemente interessante. E compartilhar de novo no Facebook, de tão bom que ele parece.

Mas infelizmente, no final das contas, eu só tenho sentido fome e sono.

Encontrei aqui.

2 comentários:

Aline disse...

Poxa :~~ às vezes a gente acorda assim, ou vive alguns dias dessa forma, sem ânimo, sem inspirações. Pensei em dar dicas que falo pra mim mesma: Corre pra as fotografias, pra música, pra a arte do cinema e pra as danças. Canta no chuveiro. Dá força pra aquele projeto que tá na gaveta. Faz uma boa ação e conta pra a gente. Sei lá, teu sangue. Doa alguns litros e vem dividir o processo. A gente precisa de um empurrãozinho às vezes. Você é interessante e sabe escrever muito bem (existem trilhões de blogueiros, mas poucos os que escrevem realmente bem). E você sabe que lá no âmago, tem um monte de utilidades pra dividir com o mundo. Vem :))

Beijo!

Thay disse...

Acho que é normal passar por isso, essa falta de inspiração. Costumava ficar bem encucada quando isso acontecia comigo, ficava irritada mesmo por não conseguir escrever uma frase que achasse interessante, mas depois passou. Passou pois entendi que a vida é assim mesmo, e a inspiração é tão aleatória quanto qualquer coisa aleatória (ahá, não consegui pensar em uma boa comparação, tá vendo só do que estou falando?). Você escreve bem sim, dá pra notar só por esse texto sobre não conseguir escrever - afinal, quem consegue escrever sobre não conseguir escrever? Respira fundo, dê tempo ao tempo que a dona inspiração logo dá as caras por aqui. Beijo! (: